segunda-feira, 16 de fevereiro de 2009


Sábado (07/02): cedísssimo cheguei na porta da loja do Ipiranga e mais uma vez satisfeito com o atendimento, saí de lá com o que precisava para fazer a festa.
Na festa, só bebi água. Um pouco de cerveja. Quis me aperfeiçoar na habilidade de escolher músicas. E se tivesse muito álcool na cabeça, faria tudo errado. Sem contar que precisava encarar o Belfiore de madrugada e assistir os Butchers.
Ganhei alguns presentinhos, afinal era uma festa de aniversário. O Malta me deu um livro legal, gostoso de ler e de um assunto pertinente: “Criaturas flamejantes” de Nick Tosches. O livro fala do nascimento do rock sob ângulos inusitados. Ele disserta sobre a palavra “rock´n´roll”, sobre o ambiente do parto, sobre quem falava e cantava o ritmo do demônio. Uma delícia. Belo presente. Ganhei outras cosas com muito carinho também. Mas o presewnte involuntário de maior peso foi o show dos Thee Butchers Orchestra. Porra...os caras não se reuniam há dois anos e fizeram a apresentação na mesma semana das minhas comemorações. Adorei!
Pensa bem...cerveja Guinness, comida Tex-Mex, ambiente conhecido e manjado com o show dos garageiros. Eu ia ate falar mal da discotecagem que não tinha nada a ver com o show e da freqüência que ficou meio chata – talvez por causa da pouca idade - mas seria posar de mal agradecido com um presentinho tão interessante.
Engraçado foi ver um câmera atrás de takes do Adriano Butcher, que hoje faz parte do Cansei de Ser Sexy, CSS. O cara não desgrudava. Sabe aqueles desenhos que o personagem olhava e transformava o que via em comida? O Pica Pau olhava uma galinha e logo sonhava com um ensopado. Pois é: o câmera olha pro Adriano e só vê cifrão.
Outro domingo para lagartixar.


quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Considerações domingueiras (01/02 a 07/02)


1 - A cópia

Copiando descaradamente um blog que leio sempre, o “Taisando”, vou falar um pouco sobre a semana passada em forma de notas. Ou considerações, como diz o título. Até isso copiei de lá. Pode ser também que eu copie a idéia de transferir este blogue pro “wordpress”. Não aguento mais ver textos com fontes de estilos e tamanhos diferentes por causa de erros de HTML. Não gosto de programação: o blog tem que fazer isso por mim. Pelo amor de Deus!


2 - Semana agitada


Semana passada foi agitada. No domingo, dia primeiro de fevereiro, descobri que a semana teria dois shows que eu não podia perder. Aliás, teria mais de dois shows que eu queria muito ver, mas dois eram imperdíveis pra mim:



O show da terça



1 - Rockers Control no SESC Pompéia: a banda já tem dez anos e lançou no evento “Prata da Casa” o seu primeiro CD, o “Jacuípe Sessions” gravado na Barra do Jacuípe, litoral norte de Salvador. Segundo o site da Traquitana - selo dos Rockers Control – entre “um momento de inspiração, uma pausa para o almoço, um mergulho no mar e outro na música, mais de 60 faixas foram gravadas em longas e diárias sessões de improviso”. Showzaço! É uma banda de dub que conheci tocando no “Susi in Dub”, uma festa que acontecia às sextas no clube “Susi in transe”. Era um clube que funcionava na boca do lixo, na Rua Aurora, e que tocava música eletrônica moderna, de ponta mesmo, mas era um porão escuro, pequeno, inferninho, sabe? Nunca fui quando tocava música eletrônica, mas sei que vários DJs brasileiros que hoje são sucesso lá fora, tocaram ali. Desde a quinta à noite até a segunda de manhã ele não fechava. Começava com uma festa normal à meia noite na quinta, emendava com um after hours de manhã e fechava o dia com um chill out. Aí na sexta, a pausa pro dub. No sábado tudo de novo até chegar na segunda de manhã. A festa de dub hoje acontece no clube Hole e se chama Java. Dentro da programação sempre tinha – e ainda tem - algum DJ convidado ou um MC pra cantar em cima das batidas, mas na noite que conheci a festa, os Rockers Control eram os convidados. Diversão garantida. Sorriso no rosto, todo mundo suando, cozinha de baixo e bateria arregaçando no suingue jamaicano e a fumaça sobrevoando o ambiente. E não foi diferente na chopperia do SESC Pompéia: terça feira quente e a banda estava igualzinha, com o mesmo pique e com os mesmos sorrisos, o público dançando e cheio de fumaça.


O show do sábado



2 – Thee Butchers Orchestra no CB (Clube Belfiore): banda de punk blues que conheci num festival de música independente no Tendal da Lapa, por volta de 2001. A sujeira no rock sempre me agradou e eles sabem fazer um rock sujo. Nem baixo tem: são duas guitarras no talo. Inspirados em “Pussy Galore” e “Oblivians” – entre outras bandas – infernizam qualquer ambiente com um som garageiro e agressivo. Gosto de bandas que fazem os músicos trabalharem de verdade, suar até pingar e se divertirem no palco. Para essa orquestra de açougueiros isso é comum e muito simples. Lembro que o Marco Butcher (guitarrista ligado num amplificador de baixo) neste show do Tendal da Lapa tocava e ficava medindo a distância entre sua cabeça e o teto pra ver se podia dar uns pulos sem se machucar. Subir nos bumbos da bateria é coisa normal pra banda. O Adriano Butcher (que toca a outra guitarra e hoje é o mentor da banda hype “Cansei de ser Sexy"CSS) sempre pediu cerveja pra platéia. Um, dois, três, quatro e uma microfonia invade o palco antes do primeiro acorde. Comecei a ir em vários shows e, um dos primeiros logo após o festival no Tendal, foi na Casa Belfiore. Foi num sábado à tarde delicioso, ensolarado, bebendo Guinness, garage soul nas pick-ups, brechó no lado de fora no bar, amigos por toda a parte. Como a Casa Belfiore fica no meio de um bairro residencial, o show acabou com a polícia. E todos os outros shows que assisti aos sábados lá, a vizinha advogada chamava a polícia. Assim nasceu o Clube Belfiore. Em outro endereço que não incomoda ninguém. E, nesse último sábado, dia 07 de fevereiro, não podiam deixar de tocar no Belfiore. A banda não tocava junto há um tempão e, aproveitando as férias de Adriano do CSS, fizeram outro showzaço no Belfiore. Tudo igual: barulho, refrões com “babe”, Adriano pedindo cerveja e Marco zunindo os ouvidos com sua guitarra barulhenta.


3 - A festa



Semana passada não foi só agitada por causa dos shows. Fiz aniversário na quinta feira. E quer dia melhor pra bundar por aí do que no dia de aniversário? Aproveitei para compensar meu banco de horas e não fui trabalhar. Fiz compras. Adquiri um mixer e mais uma pick-up para tocar meus vinis na festa.

Contar com técnicos de eletrônica que mexem com aparelhagens antigas é um aprendizado e tanto. Me tornaria um monge zen-budista se ficasse um mês atrás destas figuras empoeiradas e sem desodorante. Paciência e bom humor são fundamentais na negociação. Não criar expectativas também é requisito básico.

Sem incomodar quem lê este texto, o resumo é que fiquei até sábado de manhã (07/02, dia da festa) sem a aparelhagem completa. Os técnicos prometeram e prometeram e prometeram por dez dias seguidos o famoso “amanhã tá na mão!”. Mas deu tudo certo: às 13:00 hs do sábado arrumei o equipamento e a festa começou às quinze horas.

A festa foi outro motivo de agitação na semana. Boteco cheio, comidinhas típicas de balcão, amigos e amigas chegando no sábado ensolarado (que depois virou chuva muito forte) e eu tomando água a festa inteira para poder discotecar com a aparelhagem nova (vintage, usada, mas nova para mim) e poder ir ao showsdos Thee Butchers Orchestra no CB que rolaria na madrugada.

A festa pegou fogo quando começou a chover. O bar estava lotado na calçada e a chuva trouxe todos para dentro. Parece que os ânimos pegaram fogo nesta hora. Tinha gente que equilibrava cerveja (garrafas e copos) na cabeça, que puxava a água com rodo, que dançava com bastante vontade, que se abraçava, que fazia excursões para fumar um baseado e eu, que musiquei com bastante força para acompanhar o espírito zombeteiro. Era tudo o que eu queria: diversão garantida.


4 - A pior



E contrariando a famosa frase “last, but not least” deixo por último a pior consideração. Uma vaia para o meu trabalho. Me deixou tenso, irritado, cansado e sem ânimo para escrever nesta semana passada. Chego cedo, saio tarde e não vejo nenhuma vantagem de trabalhar tanto a não ser mendigar espaço no capitalismo idiota. Gosto de trabalhar, detesto sair fora da medida. Ainda não sei que lição tirar disso. Logo descansarei em férias



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2009

O LP que não comprei



Eu acompanhei a crise econômica mundial dos últimos meses de duas formas: de forma séria - como um evento histórico importante que merece atenção - e de forma debochada - como uma espécie de vingança, sabe aquela do prato frio? Pois é, não posso me alienar de um fato tão importante da minha época, mas ao mesmo tempo adoro ver o centro do capitalismo ameaçado.

Enquanto escrevo, dois fóruns mundiais, o de Darvos (na Suíça) e o Social (em Belém do Pará) discutem a crise, também sob ângulos opostos. Para os representantes do neo-liberalismo reunidos em Darvos, alguns fantasmas marxistas podem se tornar realidade – estatização, por exemplo. E para os esquerdistas em Belém talvez uma ou outra estratégia suja e velha conhecida do mercado possa ajudá-los a atingir alguns objetivos

Não vim aqui falar de economia, mas essa crise fez muita gente mudar de opinião. Isso é ótimo. Apesar de ver com bons olhos esta mudança, me vi afetado por algo fútil que fez parte de meus hábitos ano passado. Aproveitei a baixa do dólar e importei alguns LPs. Alguns deles divulgados aqui. Com a crise, as verdinhas ficaram caras e a importação se tornou inviável. Por volta de 50% de aumento. Se eu recebi na porta de casa um vinil novinho da Amy Winehouse por 32 patacas, agora me custaria cincoenta.

O primeiro LP que eu deixei de comprar por causa da crise foi esse aí da foto. O álbum “Goo” do Sonic Youth é de 1990. A banda se formou em 1981 e este é o primeiro disco por uma grande gravadora. Numa época que a música não tinha a internet para divulgá-la, ser distribuída por um grande selo fazia muita diferença.

Eu devo ter conhecido este disco por volta de 1994, junto com o sucesso de “100%” de outro álbum deles chamado “Dirty” (de 1992), o mais pop e palatável do Sonic Youth. Tanto que as rádios tocaram muito e, “Sugar Kane”, do mesmo álbum, também tocou até enjoar. Assim, parti para conhecer os álbuns anteriores e cheguei no “Goo”. Já, já, eu conto porque fiquei com tanta vontade de comprá-lo.

O que preciso dizer antes é que me parece que Sonic Youth sempre foi mais escutado e preferido entre as mulheres. Fiz até uma pesquisa de campo. Os homens sempre acham que aquela barulheira é puro charme e que qualquer um pega uma guitarra e sai fazendo microfonia. Eu sempre os associei à Velvet Underground e a cena “no wave” novaiorquina. Coisa que “qualquer um” não faria com facilidade, talvez nem em covers. Já as mulheres sempre apreciam aquela melancolia adulta, o baixo distorcido de Kim Gordon, os altos e baixos das músicas e até, quem diria, a microfonia improvisada que sempre acontece. Fecho com elas em gênero, número e grau.

Eu comprei o álbum “Goo” em formato CD há uns dez anos atrás. Portanto, se escuto, é lógico que reconheço. Mas, numa noite na Casa Belfiore, bar que os garçons servem Guinness e tocam discos de vinil, reconheci o álbum com algumas diferenças. Pequenas mudanças nas gravações até ouvir um lado inteiro diferente. Não agüentei e pedi pra ver a capa. O que se abre aos meus olhos ali no balcão é uma caixa com 4 vinis e livreto com fotos. Foi foda! A vontade era de sair dali ainda com o pint de cerveja na mão e procurar uma loja que vendesse a caixa.

Procurei pela internet em casa, namorei a caixa que se chama “Goo – Deluxe Edition – Box Set 4 vynil” e os efeitos da crise já foram explicitados no começo deste texto. É uma caixa com sobras de estúdio, versões demo, gravações ao vivo, experimentações, improvisos e, claro, o álbum inteiro original.

O clipe que deixo aqui pega leve nas distorções, é um tanto pop, mas eu gosto muito. Tem a participação de "Chuck D" da banda de hip-hop "Public Enemy", o que torna a música com uma proposta um tanto moderna para a época. Chama-se "Kool thing". Aproveite!



domingo, 25 de janeiro de 2009

Aniversário com música

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Justificar completamente

O blogue fez um ano. O primeiro texto foi publicado no dia 2 de janeiro de 2008. Eu não lembro do aniversário de ninguém e quase este também passa desapercebido. Só não aconteceu porque a comemoração acabou virando post, e como o recheio por aqui anda meio raro, aproveito para pôr idéias simpáticas em prática. Hoje é aniversário de São Paulo e nem lembrei.
Nada de balanços, ok? Quem cuida disto são os contadores e administradores. Sei que sou mais feliz agora com este espaço, mas não quero me comprometer com nada. Se melhorou , piorou, diminuiu ou cresceu, penso comigo mesmo e não passo pra frente. Mesmo porque, esqueço de tudo logo que acordo ou antes mesmo de dormir.
Não há como negar que durante este ano o conteúdo foi repleto de música. Seja por citações em textos, seja por falar de discos de vinil que importei ou por sensações que as músicas me causam. Para comemorar, preparei um set list com 32 músicas que fizeram parte do blog. Elas estão nos textos direta ou indiretamente.
Abaixo, na relação das músicas, cada uma delas é um link que leva direto ao texto que a inspirou. O player que as tocará é uma novidade pra mim. Espero que não dê problemas. Mas é possível avançar ou retroceder músicas e optar por repetí-las ou deixá-las em shuffle. Se quiser ouví-las e ler o texto correspondente ao mesmo tempo, precisará de duas janelas abertas no blog.

Aproveite

"Me jane" - PJ Harvey
"Meu fraco é café forte" - Rio 65 Trio
"Cidade vazia" - Milton Banana Trio
"Você gosta" - Suba
"Mexican Guy" - The Stooges
"If you can want" - The Dirtbombs
"Caia na estrada e perigas ver" - Os Novos Baianos
"Divino maravilhoso" - Gal Costa
"Just Friends" - Amy Winehouse
"Brittle" - Stereolab
"The sidewinder" - Lee Morgan
"Handle song" - Soledad Brothers
"The breaks" - The Black Keys
"Tenderly" - Billie Holiday
"Wreck my flow" - The Dirtbombs
"Leave Me Alone So I Can Rock Again" - Jon Spencer Blues Explosion
"Trash" - New York Dolls
"A car goes fast" - MQN
"Hey amigo" - Cachorro Grande
"Bam bam" - Sister Nancy

"The Lost Art of Keeping a Secret" - Queens Of Stone Age
"Back In The Day (Puff) (Feat. Lenny Kravitz)" - Erikah Badu
"Got A Thing On My Mind" - Sharon Jones & The Dap-Kings

"Acabou chorare" - Os Novos Baianos
"Paulista" - Eduardo Gudin e Vânia Bastos

"Eu sou melhor que você" - Mulheres que dizem sim
"Arrivederci" - Moreno + 2
"Solar" - Domênico + 2
"O seu lugar" - Kassin + 2

"Minha menina" - Os Mutantes
"DIG DIG DIG (hempa)" - Planet Hemp
"Space cowboy" - Jamiroquai

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Férias




Tentei, tentei, tentei e não consegui escrever. Me esforcei e os textos ficaram incompletos. A segunda tentativa de texto explicava porque a primeira tentativa não ficava pronta e no fim nada saiu. Este já é o terceiro. Apesar de insistir, eu nem me incomodei. Logo, outra coisa me divertia e eu perdia o prumo. Afinal, quanto mais eu penso em freqüência, menos realizo. Se a produção ficou pela metade, a outra metade encontrou a preguiça, os amigos, as amigas,os bares, as estradas e as noites quentes sem fazer nada.
Me toquei que estou de férias do blogue por causa de um comentário feito ontem, dia 19/01, pela colega blogueira Mari Bortz. Ela percebeu que aproveito bem o verão. Pode ter certeza, Mari. As noites estão lindas. A Rio-Santos me deixa sem fôlego no trecho Boracéia-São Sebastião. Holambra me oferece gérberas e gastronomia requintada. O fogão me empolga e faço comidas baianas e mexicanas com disposição.
Mas não estou de férias do meu trabalho. Ele tem me deixado sem inspiração. Me suga mesmo. Chego cansado e a última coisa que quero fazer é escrever. Uma pena. Mas para descansar e esquecê-lo faço outras coisas, o que não inclui atualizar o blog. Gosto de imaginar as palavras, não escrevê-las. Haverá algum método que me ensine a transportá-las sem tanta preguiça?
Nem o aniversário de 1 ano do blogue me tirou do ritmo de férias. Até que tive uma idéia simpática de post pra comemorar. Espero ter pique para concretizá-la.
A foto foi tirada na Rio-Santos, no dia 10/01 último,por volta das 19 e 30 (horário de verão, evidente), entre as praias de Guaecá e Barequeçaba, no município de São Sebastião.